terça-feira, agosto 23, 2005

Stuck Inside of Mobile with the Memphis Blues Again...

Este é o nome de uma obra prima de sete minutos, escrita e interpretada por Bob Dylan desde os anos 60. Hoje, ajudou-me a voltar aos meus 16 anos e à simplicidade de uma tarde de Verão.
Voltei a Lisboa porque trabalho fora dela, longe o suficiente para estar rodeado de verde e dos seus cheiros.
Tinha combinado ir ao cinema com um amigo, daqueles que temos que pensar para saber quantos anos observam a nossa amizade.
Voltando, já de noite, conduzi tranquilo para casa. Ao parar no sinal segui o normal impulso de olhar para o carro parado a meu lado. Dentro estava uma rapariga, uma senhora, que parecia ser sua mãe e, empoleirado ao seu colo, um gatinho. Era pequeno e queria ver o que o Mundo lhe podia mostrar. Sorri...e elas sorriram de volta.
Lembrei-me do meu avô, sentindo-o perto. Ele via sempre as pessoas que paravam ao seu lado.
Continuei o caminho, que até era curto, e por me sentir bem evitei a habitual transgressão, que me leva ao estacionamento de sempre.
O meu carro tem muitos botões, fala comigo e fecha-se sozinho, assim que me afasto dele. Finjo falar com ele, murmurando a ordem de que não necessita. Por momentos sinto-me mágico. Nessa altura passou por mim o senhor dos frangos. Está sempre com um ar saudável! Entrou na loja, hoje fechada e na maior escuridão. Se tivesse uma loja também a visitava, para ver se precisava de algo.
Passei pelo rés-do-chão habitados por brasileiros. Pensei que gostam de morar perto da terra, muito importante no seu país natal. Deve ser esta a razão…obriguei-me a repetir.
Ao entrar no prédio onde moro, reparei que a outra terra ainda estava no chão, apesar de terem endireitado o vaso há uns dias. Nem fica mal, pensei. Tem um toque artístico.
Subi ao segundo andar, para logo voltar a descer, para pôr o lixo e ver se tinha correio. Cá fora soprava um vento fresco e que fazia pouco barulho. No correio apenas publicidade. Gostei muito de uma régua em papel, que promovia um serviço de remodelações. O meu prédio é antigo e bem precisava de algumas. Como tinha muitas réguas, decidi partilhar! Coloquei uma na caixa do 3º esquerdo. Há que manter viva a boa vizinhança e as relações com os outros moradores.
Voltei a subir, para escutar de novo os meus vizinhos da frente. São velhinhos e têm sempre a televisão no volume máximo. O senhor sai muito, fuma e tem uma boina. A mulher nunca aparece. E mesmo a sua voz, apenas a pude ouvir duas vezes. Até podia ser uma gravação!!
Depois do banho, esperava-me um magnífico jantar. O que sobrara do frango de ontem e que ainda era bastante. A mais simples refeição é deliciosa quando nos sentimos bem. Imaginei logo a sobremesa, com gelado de nata e bolachinhas com algum chocolate. Guardei o tesouro para outro dia. Ia ficar demasiado cheio para escrever.
A felicidade apareceu num final de tarde. Vinha escondida pelo que posso ver todos os dias…

Sem comentários: