segunda-feira, novembro 21, 2005

A porta...

Das cidades não percebo muito. Mas de moradias sou um mestre! Na província são castelos, orgulhosas mesmo nos azulejos. A entrada é majestosa, embora burguesa. Mas nunca é utilizada. A verdadeira porta, a da frente, nem abre. Ao tentar, sentimos o ranger da madeira inchada pela apatia e o pó acumulado por baixo.
As moradias da província têm um segredo, simultaneamente o seu bem mais precioso. A porta da cozinha!
É por ela que se entra. Fica na parte de trás da casa, tem uma pequena e simples fechadura e é muitas vezes frágil. Tem uma grande área em vidro, para que luz possa entrar, não temendo outras invasões.
Por ali aprendemos, batemos de doce, nos entalamos e percebemos. Por ela entrei, de primeira namorada escondida.
Tenho saudades, da porta da cozinha...

1 comentário:

colher de chá disse...

Ando há dias às voltas para conseguir comentar este texto.
Só consigo pensar que aquilo que quero mesmo aqui escrever é que, ando com muito medo do escuro. E as portas estão todas fechadas, está tudo aparentemente em segurança.

Estranho não é...