segunda-feira, fevereiro 06, 2006

O sono...

Era muito estranho, porque os olhos reviravam-lhe enquanto escrevia. Já tinha ouvido falar de tal, mas pensava numa lenda em mito, e não acreditava. Sentado no final de um café fumarento, esquecia-se do seu redor para entoar um abano de cabeça, desengonçado e musical. Fui à sua beira para puxar a cor de verde nos olhos e expulsar o branco em maioria. Antigamente os escritores faziam assim. Mais do que as essências e os pós, utilizavam o sono para escrever. Permitiam-se à sua ausência por um punhado de tempos, em que deslizavam num vái-vem de necessidades negadas. Em sono, perto do sonho, deixavam a parte esquecida da alma escrever e contar, chegar onde a lucidez não permitia.

3 comentários:

Blusy disse...

não será que toda a criatividade provem directamente da alma? mais ou menos esquecida para alguns, noutros à flôr da pele !?

Blusy disse...

não será que toda a criatividade provem directamente da alma? mais ou menos esquecida para alguns, noutros à flôr da pele !?

Blusy disse...

não será que toda a criatividade provem directamente da alma? mais ou menos esquecida para alguns, noutros à flôr da pele !?